sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

MENSAGEM DO EX SECRETÁRIO-GERAL DA ONU KOFI ANNAN, POR OCASIÃO DO DIA MUNDIAL DOS REFUGIADOS
20 de Junho de 2006

Fonte: Centro Regional de Informação da ONU em Bruxelas - RUNIC

Para milhares de pessoas que todos os anos se vêem forçadas a fugir de suas casas, e partir, levando apenas alguns dos seus bens, para salvar a vida, é apenas o início de um longo combate. Depois de terem escapado da perseguição ou da guerra e de terem encontrado um local seguro, os refugiados têm ainda de superar enormes dificuldades para obter aquilo que a maior parte de nós considera como adquirido – uma escola, um emprego, habitação e cuidados de saúde.
As dificuldades assumem várias formas e é preciso fazer escolhas difíceis. Os organismos de ajuda, que dispõem de recursos limitados, são com freqüência obrigados a estabelecer prioridades dolorosas. O que é mais importante para as milhares de crianças de um campo de refugiados: uma escola ou uma clínica? Para além dos esforços para construir uma nova vida, numerosos refugiados carregam os estigmas físicos e psicológicos das violências sofridas ao longo dos anos, mesmo quando se encontram num ambiente completamente novo. As famílias que enfrentam o risco de perseguição no seu próprio país podem viver sob a ameaça constante de serem obrigadas a regressar. E mesmo quando lhe é concedido asilo, um refugiado pode ser considerado uma ameaça, e não uma vítima, e ser alvo de intolerância e hostilidade.
Hoje, o número total de refugiados no mundo situa-se no nível mais baixo desde 1990. Nos últimos anos, o Alto Comissarido das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) ajudou milhões de pessoas a regressarem às suas casas ou a começarem uma nova vida no país de asilo. Os organismos da ONU trabalham em conjunto para garantir que milhões de deslocados, no interior do próprio país, freqüentemente em condições idênticas às dos refugiados, recebam a assistência de que necessitam. Do mesmo modo, milhares de pessoas provenientes tanto da Federação Russa como da Libéria receberam ajuda para regressar, voluntariamente, aos seus países.
Na altura em que celebramos o Dia Mundial para os Refugiados, mais de metade dos refugiados dos quais o ACNUR se ocupa, em nível mundial, passaram mais de cinco anos no exílio. Este dia lembra-nos que temos a responsabilidade de manter viva a esperança de todos aqueles que mais dela necessitam, ou seja, os milhões de refugiados e deslocados que ainda vivem no exílio.


A maior parte de nós nunca tem de enfrentar, na sua vida quotidiana, o terror, o medo, o conflito e a perseguição que obrigaram milhões de refugiados em todo o mundo a fugirem. Esquecemos facilmente que, na sua maioria, os refugiados são pessoas como nós, que têm uma casa, uma família, um emprego e sonhos, e que são forçadas a tudo abandonar, na sua busca desesperada de segurança num meio desconhecido. Perante um futuro incerto, estas pessoas comuns têm de se armar de uma coragem extraordinária para sobreviver e para refazer a sua vida destruída.
Neste Dia Mundial dos Refugiados, rendemos homenagem ao espírito e à coragem dos milhões de refugiados no mundo. Muitos deles suportam enormes sofrimentos, sem perder a esperança, e encontram forças para superar o desespero e começar uma nova vida, apesar de tudo parecer estar contra eles. Podemos ser testemunhas da sua coragem, todos os dias, nos vastos campos de refugiados da Ásia e da África, onde famílias inteiras assistem a aulas para aprender novos ofícios, enquanto aguardam ansiosamente o dia em que poderão finalmente voltar para as suas casas e começar a refazer a sua vida e a reconstruir o seu país. Vemo-la no Afeganistão, em Angola, na Serra Leoa e em dezenas de outros países, onde milhões de refugiados regressam à sua pátria devastada pela guerra, com esperança no futuro. E vemo-la nas cidades, quer grandes quer pequenas, do mundo inteiro, onde os refugiados que não puderam voltar para os seus próprios países, insuflaram às comunidades que os acolheram uma nova vida e lhes trouxeram prosperidade e diversidade cultural.
Durante as últimas cinco décadas, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) teve o dever e o privilégio de ajudar mais de 50 milhões de pessoas desenraizadas a refazerem a sua vida destruída. Hoje, em 115 países, entre os quais figuram alguns dos lugares mais difíceis e perigosos do mundo, o pessoal do ACNUR ajuda cerca de 17 milhões de refugiados e outras pessoas pessoas necessitadas. Na sua nobre tarefa, também dá mostras de coragem, uma coragem indubitavelmente inspirada pelas pessoas a quem prestam auxílio. Como disse um responsável do ACNUR no terreno, no meio de uma crise, se os refugiados, que perderam tudo, não perdem a esperança, como podemos perdê-la nós?
Cada refugiado tem a sua história e cada perda é uma perda pessoal. Mas, neste Dia Mundial dos Refugiados, a coragem e perseverança de que dão provas, para superar a adversidade e construir um futuro melhor, devem ser uma fonte de inspiração para todos nós.

20 de Junho de 2003 Fonte: Centro de Informação das Nações Unidas em Portugal


A vida de um refugiado, independentemente da idade que possa ter, nunca é fácil. Mas, por muitas razões, o exílio é particularmente duro para os jovens. Para além das tensões emocionais próprias da adolescência e do final desta fase, os jovens refugiados têm, frequentemente, de enfrentar os tormentos da guerra, a violência, o luto pela perda de familiares e amigos, a violência sexual e a conscrição forçada.
O terceiro Dia Mundial dos Refugiados é dedicado aos milhões de jovens cujo futuro foi prejudicado pela guerra, o ódio e o exílio. Numa idade em que deveriam sonhar com as possibilidades ilimitadas que a vida oferece e desenvolver as suas competências, preparando-se para a vida adulta, estão tolhidos pela dura realidade da pobreza e da sua situação de deslocados e condenados ao que, muitas vezes, parece ser uma vida sem esperança.
Muitos jovens refugiados são também privados do amparo da família, o que os torna especialmente vulneráveis a várias formas de violência. Em algumas partes do mundo, rapazes de 15 anos são recrutados à força para combater em conflitos alheios, frequentemente por razões que não podem de modo algum compreender. Figuram entre os mais de 300 000 jovens com idades compreendidas entre os 15 e os 17 anos que lutam em algumas das guerras mais violentas do mundo. Ainda que escapem à morte e saiam fisicamente ilesos, ficarão traumatizados para o resto da vida, devido à brutalidade da experiência por que passaram. E, se os rapazes acabam por se tornar carne para canhão, as jovens refugiadas são, muitas vezes, os principais alvos de violência, especialmente nas zonas onde a posição social das mulheres e moças é débil.
Todos nós queremos um futuro melhor para os nossos filhos e nos esforçamos por lhes proporcionar meios que lhes permitam construir uma vida feliz e marcada pelo êxito. Infelizmente, os jovens refugiados não têm essas oportunidades. Mas quem visitar uma escola de qualquer campo de refugiados aperceber-se-á da sua notável determinação em aprender e brilhar. Confrontados com enormes adversidades e um futuro incerto, os jovens refugiados sabem que a educação é a saída mais segura para a sua situação.
Os jovens refugiados precisam de ajuda. O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados e outros organismos da ONU já fazem muito, por meio de programas educativos e de outros programas juvenis, para tornar as suas vidas mais realizadas, mais seguras e mais válidas. Mas, embora a ação humanitária possa ajudar a atenuar a dureza da sua existência, não pode ser um substituto de esforços sérios e continuados para encontrar soluções para os problemas que estão na origem da deslocação de populações. No Dia Mundial dos Refugiados, reafirmemos o nosso empenho em impedir que as gerações futuras cresçam sem esperança.

Gentileza do Centro de Informação da ONU em Portugal

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Sobre a nossa peça - REFUGA de Abi Morgan

Refuga, de Abi Morgan é, neste momento, o nosso grande desafio.Embarcámos neste projecto promovido pela Culturgest, com o apoio do Teatro Virgínia e estamos a aprender imenso com esta experiência. Contamos com a preciosa ajuda do encenador Pedro Wilson para dar forma, vida, cor e movimento a este texto.
Os ensaios têm decorrido num ambiente agradável e de grande entrega por parte de todos.
A HISTÓRIA

Refuga conta a história de Kojo, um refugiado da Costa do Marfim, que chega a Londres e é recebido num centro de acolhimento para crianças. É aqui que conhece outras crianças como ele: Ara vem do Afeganistão e ainda ouve as bombas a cair à noite. Cheung vem de uma aldeia chinesa com mais de 1000 anos de existência. Órfãos, em Londres, eles são a única família que têm agora. Juntos, contam sua história. Uma história da infância perdida, grandes árvores e um assassinato em andamento; um assassinato cometido por uma criança que todos dizem ser um homem.
A sua história é a história de milhares de jovens que procuram fugir à guerra, à perseguição, ao abandono e à fome...

Nota da autora

" Refuga é uma peça sobre sonhos perdidos, países perdidos e uma geração de crianças perdidas caminhando pelos passeios de Londres. Esta peça é para elas. Não consigo pensar num elenco de actores mais apropriado do que o dos grupos juvenis das escolas. Foi um privilégio escrever para eles e para os dois mil ou mais menores desacompanhados que todos os anos chegam a este país à procura de asilo."

A AUTORA
Abi Morgan
Abi Morgan nasceu em 1968 no Reino Unido. Escreve para teatro, cinema e televisão.
As suas peças mais famosas são: Skinned, Sleeping Around, Tiny Dynamite, Tender e Splendour.
Para televisão, My Fragile Heart, Murder, Tsunami-The Aftermath e Sex Traffic. Fez os roteiros de Brick Lane, uma adaptação do bestseller de Monica Ali e de White Girl, um filme para a BBC2.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Aos pais e Encarregados de Educação



OFICINA DE TEATRO E EXPRESSÃO DRAMÁTICA
Ex. mo (a) Sr. (a)
Encarregado(a) de Educação:
Como é do vosso conhecimento, este ano, o grupo está a trabalhar num Projecto a nível nacional promovido pela Culturgest com o apoio do Teatro Virgínia.
O Projecto “PANOS – palcos novos palavras novas alia o teatro escolar/juvenil às novas dramaturgias, inspirando-se no programa Connections do National Theatre de Londres. Todos os anos há peças novas escritas de propósito para serem representadas por grupos escolares ou de teatro juvenil.”
Esta já é a 4ª edição e em cada edição a Culturgest oferece uma peça acabada de escrever, livre de direitos, e pensada para ser representada por jovens dos 12 aos 18 anos e a possibilidade de a apresentar em estreia mundial (ou portuguesa).
Os espectáculos seleccionados farão parte do festival de encerramento na Culturgest. Para além deste festival haverá ainda outros festivais PANOS para os quais os espectáculos poderão ser convidados.
Como grupo, ao integrar este projecto, assumimos alguns compromissos entre os quais a apresentação do espectáculo, se para tal for seleccionado, no festival de encerramento na Culturgest e sempre que possível nos outros festivais PANOS, garantindo para tal a disponibilidade de todos os participantes e também o respeito pelo texto a encenar, não podendo ser efectuados cortes nem acrescentos sem a autorização expressa do autor.
O texto a encenar Intitula-se “REFUGA” e é de uma escritora Inglesa, Abbi Morgan. É um texto dramático, difícil, que exige um trabalho prévio de compreensão para uma integração plena na pele das personagens, no espírito e na mensagem veiculada na peça, constituindo um enorme desafio. Advertimos que o texto contém algum calão, que poderá, à partida, parecer estranho, no entanto surge de forma contextualizada.
O seu educando já está na posse de um exemplar pelo que poderá tomar conhecimento do texto.
Estamos disponíveis para qualquer esclarecimento. Para mais informações, poderá consultar o site da Culturgest.
Com os melhores cumprimentos.
As Docentes Responsáveis

Ana Rita Moutinho e Elsa Giraldo

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

As viagens que esta peça já fez, aqui, aqui, aqui e aqui.
Depois de termos recebido 3 textos de 3 autores diferentes, foi o texto da inglesa Abi Morgan, REFUGA, com tradução de Francisco Frazão, o escolhido para ser encenado em Torres Novas.
Podem encontrar mais informações sobre esta autora aqui. E uma entrevista com ela aqui.
PANOS – palcos novos palavras novas é um projecto da Culturgest que alia o teatro escolar/juvenil às novas dramaturgias, inspirando-se no programa Connections do National Theatre de Londres. Todos os anos há peças novas escritas de propósito para serem representadas por grupos escolares ou de teatro juvenil.

Em cada edição, a Culturgest oferece:a) uma peça acabada de escrever, livre de direitos, e pensada para ser representada por jovens dos 12 aos 18 anos;b) a possibilidade de a apresentar em estreia mundial (ou portuguesa);c) os custos de alojamento e alimentação dos responsáveis dos grupos durante o workshop de preparação;d) espaço e meios para apresentar os espectáculos seleccionados para o festival de encerramento na Culturgest (incluindo alojamento e alimentação dos elementos dos grupos – os custos da deslocação poderão ser partilhados entre a Culturgest e os grupos, a quem se pede que façam esforços junto da escola, câmara municipal, etc. para garantir um transporte gratuito). Para além do festival da Culturgest haverá ainda outros festivais PANOS para os quais os espectáculos poderão ser convidados.
Os grupos terão de garantir:a) disponibilidade total dos responsáveis para participar no workshop de preparação (bem como os custos da deslocação a Lisboa);b) ensaios, produção e apresentação do espectáculo no tempo, espaço e com os meios financeiros e logísticos que tiverem à disposição ou que consigam angariar;c) compromisso de apresentação do espectáculo, se para tal for seleccionado, no festival de encerramento na Culturgest e sempre que possível nos outros festivais PANOS, garantindo para tal a disponibilidade de todos os participantes (para que sejam considerados para a selecção, os espectáculos terão de estrear até ao fim de Abril de 2009);d) o respeito pelo texto a encenar, não podendo ser efectuados cortes nem acrescentos sem a autorização expressa do autor.

No ano em que decorreu a terceira edição dos PANOS, o projecto recebeu uma Menção Especial da Crítica entregue pela Associação Portuguesa de Críticos de Teatro. Todos os anos são encomendadas peças novas a escritores portugueses para serem representadas por actores entre os 12 e os 18 anos, sem restrições temáticas ou de elenco e com tempo de representação de cerca de uma hora; e escolhem-se para traduzir peças criadas no contexto do Connections. Até agora escreveram para os PANOS Hélia Correia, Jacinto Lucas Pires, Armando Silva Carvalho, Alexandre Andrade, Patrícia Portela e Luísa Costa Gomes. E traduziram-se textos de Mark Ravenhill, Ali Smith, Letizia Russo e Dennis Kelly.

No primeiro ano, 2005/2006, foram sete os grupos participantes; nos últimos dois foram 25 os grupos de teatro escolar/juvenil que aceitaram o nosso desafio. No fim do Verão, primeiro a partir de um excerto e depois da versão completa, os grupos decidem que peça vão encenar. Os textos são então explorados pelos responsáveis dos grupos durante um fim-de-semana alargado, em Novembro, na Culturgest. Os workshops de cada peça, com a presença dos autores, decorrem em sessões paralelas e são orientados por encenadores convidados (portugueses e estrangeiros, um por cada peça).A partir daí decorrem os ensaios nas escolas ou nas instalações dos grupos. Até ao fim de Abril os espectáculos estreiam nesses espaços.Finalmente, em Maio, são escolhidos dois espectáculos por cada texto para serem apresentados no festival da Culturgest.

Em Torres Novas, este projecto acontece pela primeira vez no Teatro Virgínia com um grupo de teatro da Escola Básica e Secundária Artur Gonçalves e um grupo de jovens que participou nos Encontros no Teatro 2008. O projecto é orientado por um encenador convidado, Pedro Wilson e pelas professoras Elsa Giraldo e Ana Rita Moutinho. Os ensaios tiveram início em Outubro e realizam-se todas as quartas feiras à tarde. O espectáculo estreia no Virgínia até ao final de Abril de 2009.